Metade delas nem se chama de empreendedora. Faz marmita, vende bolo, faz unha, monta bazar — e sustenta a casa com isso.
Porque quase ninguém aqui empreende por sonho. Empreende porque a conta do mês não fechava:
| Um dia tem | 24h |
| − o emprego, quando existe | 8h |
| − deslocamento | 2h |
| − sono | 8h |
| é aqui dentro que cabe o negócio | 6h |
Por isso o negócio dela quase nunca morre por falta de talento. Morre por uma coisa pequena e evitável: o freezer que quebrou e não tinha crédito pra trocar, o curso que era de manhã, a encomenda grande que ela não pôde aceitar porque não tinha com quem deixar o filho.
Ela sustenta a casa sozinha há anos, mas na hora do crédito precisa de alguém que assine por ela. Quando não consegue, sobra o cheque especial, o rotativo e o agiota — e aí o juro come o lucro antes do negócio nascer.
Como eu ajo: Microcrédito e crédito produtivo nos bancos públicos federais, com desenho que não exija avalista e com meta explícita para mulher chefe de família.
DIRETO · lei federal ou orçamento da UniãoCurso que acontece de manhã, sem auxílio e sem onde deixar a criança, existe só no papel: ela não pode ir. E aí a culpa ainda sobra pra ela, como se fosse falta de interesse.
Como eu ajo: Emendas para programas de qualificação com esse desenho, e defesa do recorte “mulher chefe de família” nos programas federais.
INDUZIDO · orçamento e emendaA marmita, o bazar, a unha, o bolo por encomenda. Isso é trabalho, sustenta casa e move dinheiro no bairro. Mas não conta como experiência em currículo nenhum e não entra em política pública alguma.
Como eu ajo: Formalização simplificada e sem armadilha, apoio para acessar mercado — inclusive compra pública — e reconhecimento desse trabalho nos programas de renda.
ARTICULADO · cobrar e destravar recursoCada uma dessas propostas apareceu porque alguém contou. Se tu vive isso e tem algo que eu não vi, escreve aqui — eu leio tudo.
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